domingo, 16 de novembro de 2025

descompasso



Nem sempre andamos no compasso exato da vida. O "eu te amo" muitas vezes sai meio fora de hora. Assim como aquele "tchau", tantas vezes necessário. Vida estranha essa nossa, que não nos dá sinais claros. Ou será que andamos distraídos demais?

Mais fáceis são o "bom dia", "boa tarde" e "boa noite". Esses, ao contrário dos "tchaus" e dos "eu te amo", sempre tem uma marcação temporal precisa. Mas mesmo assim, humanos que somos, vez ou outra ainda nos esquecemos de dar aquele simples "bom dia".

Entre medos, paixões e tantas outras distrações seguimos no descompasso da vida. Nesse ritmo que, inutilmente, tentamos seguir.

Inutilmente por que, com o tempo, descobrimos que o ritmo não vem de fora. Vem de dentro. E daí que, no final das contas, não tem descompasso nenhum. O tempo é o tempo de cada um.

domingo, 29 de junho de 2025

ÉTICA NOS NEGÓCIOS

O caso DM9: refletindo do ponto de vista ético e econômico.

Se prepara, pois lá vem um textão - em número de linhas, registre-se. 



ÉTICA

Ética é como engenharia elétrica. Sim, você não leu errado, a pessoa pode ser um grande engenheiro eletricista e morar numa casa cheia de fios desencapados. A pessoa pode dominar os fundamentos e não ter uma conduta ética. Acho que a semelhança acaba aí.

Ética é nossa inteligência aplicada ao convívio em sociedade. Mas conviver considerando uma perspectiva harmônica, que seja boa para todos.

Quebrar essas regras construídas em conjunto, que visam o melhor convívio, não é a forma ética de agir. É olhar para si e se esquecer de olhar para o todo. 

Importante frisar que as instituições, e a DM9 é uma instituição, terem seus próprios códigos ética, publicados ou não, as instituições são feitas por pessoas. Além disso, as empresas integram um ecossistema, que também possui regras e combinados próprios. 

Assim, do ponto de vista ético, há sim que se questionar se a DM9 sabia ou não do que estava acontecendo. Temos que avaliar se a DM9 teria poder de alterar uma conduta comum do mercado em que atua. Como uma grande empresa, pode muito - mas não pode tudo.

Também é importante destacar que tudo que aconteceu só aconteceu porque pessoas agiram como agiram. Certamente pessoas de "alta patente", seja da agência, seja do cliente - no caso, a Consul. 

CPFs, e não CNPJs, agem. De maneira ética, ou não.

Assim, seja do ponto de vista ético ou até do ponto de vista legal, as pessoas envolvidas precisam ter suas ações avaliadas, respeitando o contexto em que agiram. Os desdobramentos para os CPFs precisam ter o rigor do peso de suas ações. Mas sem esquecer que, humanos que somos, temos que ter a oportunidade de recomeçar. 

As respostas que promovem o cancelamento dos envolvidos não me parecem razoáveis. CPFs também tem famílias, amigos e boletos a pagar.


ECONOMIA 

Já encerrando meu textão, tudo que falei sobre priorizar a responsabilização dos CPFs (pessoas), não quer dizer que os CNPJs estejam totalmente blindados. 

Multas, restrições e outras sanções podem ser aplicadas às instituições. O que devemos evitar é a inviabilização de negócios. Empresas têm funcionários e toda uma cadeia de fornecedores, que também geram muitos e muitos empregos. Vimos isso acontecer recentemente com a engenharia brasileira. 

Enfim, temos que tratar das pragas, mas pensando sempre em manter o jardim vivo.

Era isso, espero ter agregado à discussão.


Observações:

1) Aqui não analiso a ocorrência envolvendo a DM9 e a premiação do Leão de Ouro de Cannes. Apenas me valho do fato para fazer uma reflexão.

2) Compreendi um pouco sobre o conceito de ética lendo e assistindo o professor Clóvis de Barros Filho. Recomendo muito. 

3) Se quiser entender o que aconteceu, recomendo essa matéria da EXAME: https://exame.com/marketing/dm9-perde-grand-prix-em-cannes-apos-uso-de-ia-em-video-de-case

sábado, 14 de junho de 2025

Ricos, milionários, porcos e miseráveis

Uma breve reflexão decorrente da troca de bombas entre Israel e Irã. 

Bom dia, boa tarde ou boa noite. Durma com um barulho desse.
















Imagem real. Seria lindo, se não fosse uma guerra.

Materialmente falando, é impossível que todos sejam ricos, mais especificamente multimilionários, e as razões são duas. 

Em primeiro lugar, não tem recurso a ser dividido com todos para que todos tenham um iate e uma casa com campo de golfe. Somos bilhões e o planeta, por maior que seja, é um só. 

Em segundo lugar, para uma parte significativa da população, ser rico não é apenas ter bastante. Para esses, ser rico é ter mais do que os outros. E aí, mesmo que fosse possível distribuir a riqueza direitinho, muita gente ia ter que ficar de fora da conta. E não apenas para manter essa distinção entre ricos e pobres, mas também porque um rico que se preze precisa de um garçom para trabalhar no seu iate. 

Trump, Netanyahu, Bolsonaro e seus asseclas sabem disso. Essa é a luta. Não que eles odeiem pobres, mas alguém precisa cuidar da grama do campo de golfe.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

A imanência em Belchior

Belchior, sinônimo de gênio. Sim, talvez eu esteja exagerando. Mas, como diria um outro cantor genial, eu sou mesmo exagerado!

Fanatismos à parte, a obra de Belchior é repleta de frases que nos rementem a discussões filosóficas de alto nível. Vejamos o que nos diz esse pequeno trecho de Alucinação, um dos primeiros grandes sucessos do ilustre cearense:
Essa treta é velha, uma rixa antiga dos tempos de Parmênides e Heráclito, esses dois gregos que vieram antes de Sócrates. Enquanto o primeiro defendia que nossa essência não se altera, o segundo entendia que nossa essência era justamente a transformação, o vir a ser.

Passa Parmênides e Heráclito, pula Sócrates e chegamos a Platão e Aristóteles. Esses 2 gigantes da filosofia trouxeram muito mais lenha para essa fogueira. Platão dizia que a essência das coisas não estariam nelas mesmas e sim na ideia de cada coisa. Assim, para ele, a existência teria duas perspectivas: uma concreta, do mundo real e sensível e outra não material, do mundo das ideias e inteligível, sendo essa segunda, de uma certa maneira, prevalente sobre a primeira. Temos em Platão o conceito de transcendência.

Aristóteles diverge de Platão, ao apresentar argumentos lógicos que invalidam esse conceito de transcendência. Se as coisas existissem de fato em 2 perspectivas, deveria haver, portanto uma conexão entre a coisa e a ideia da coisa. Assim, em havendo essa conexão a coisa e a ideia da coisa, elas seriam, em verdade, uma coisa só.

Voltemos a Belchior. Em especial para o trecho de Alucinação.

Quando ele diz não estar interessado em nenhuma "tioria", entendo eu que temos uma crítica à dualidade platônica, o que é reforçado quando ele completa a frase afirmando sua "alucinação é suportar o dia a dia" e que o seu "delírio é a experiência com coisas reais".

Assim, para esse humilde ser pensante que vos fala, Belchior estava fechado com Aristóteles.

E você, o que me diz?

terça-feira, 13 de outubro de 2020

O MUNDO DE SOFIA

Ontem acabei de ler o livro O MUNDO DE SOFIA. Talvez não tenha sido o melhor livro que eu já li, mas certamente foi um dos mais importantes. Leitura para o público juvenil, mas que fez todo sentido a este quarentão aqui. A história e o enredo são muito bem tramados, mas o pano de fundo é o grande ponto desse livro espetacular: a história da filosofia. Dos gregos antigos até a filosofia moderna, o autor apresenta as principais linhas do pensamento filosófico ocidental de maneira clara, tornando a compreensão mais fácil até para um ser humano como eu: ridículo, limitado e que usa 10% da cabeça animal. Apesar o texto fácil e envolvente, a leitura torna-se um pouco mais densa em alguns pontos (Kant, Aristóteles e alguns outros filósofos não são necessáriamente fáceis de entender) e as 550 páginas do livro são um outro desafio. Demorei quase 2 anos para terminar, mas valeu cada linha. Foram períodos longos longe do livro, mas nunca mentalmente desconectado dele. A trama sutilmente resgata um importante ponto de discussão da história da filosofia: a conexão entre Hilde e Sofia remonta a discussão da linha dividida de Platão e a contraposição de Aristóteles, não muito satisfeito com essas transcendência. Enfim, ainda estou intrigado com tanta informação apreendida. Obviamente me sinto muito mais capaz de entender algumas questões fundamentais questões que permeiam nossas vidas. Porém, parafraseando Sócrates, reconheço toda minha ignorância e digo: SÓ SEI QUE NADA SEI.

quinta-feira, 7 de maio de 2020

domingo, 3 de maio de 2020

O maravilhoso mundo de doxa

Pra quem você empresta seus ouvidos? Você analisa criticamente o que entra por eles? Que mecanismos você utiliza para que sua opinião seja formada de uma maneira consistente?

Uma questão de grande utilidade prática que o estudo da filosofia nos trás, diz respeito às distinções e interações entre doxa, dogma e episteme.

Grosso modo, episteme diz respeito ao conhecimento da verdade, ao conhecimento metodologicamente construído. Episteme diz respeito à ciência.

Já dogma se refere ao conhecimento da verdade através da fé, da crença. Tem a ver com aceitar, não questionar. Dogma reina no campo teológico, mas tb em outros como a política, por exemplo.

Assim, formando um tripé, temos a famigerada doxa. Aliás, tenho revisto minha opinião sobre ela, por mais paradoxal que seja ter uma opinião sobre a opinião - ops, dei spoiler... Mas enfim, se vc percebeu o detalhe, não encare esse texto como um artigo, ou algo baseado em pesquisas acadêmicas. Aqui apresento minha opinião, meu achar, meu entender. No meu caso, essa opinião está baseada em livros, vídeo-aulas e conversas com gente que já estudou mais ou menos do que eu - ops, spoiler de novo!


Vamos lá, nos livros em que estudei li algumas vezes que o pensamento filosófico nasce na Grécia antiga num contraponto a ela, a doxa. Doxa que pode ser entendida como sinônimo de opinião. Quando na Grécia o mundo se encontrava para fazer negócios e os mercadores conversavam a respeito das coisas do mundo, era natural haver divergência, por exemplo nas explicações para a ocorrência de um raio. Um nórdico diria que era obra de Thor e um oriental diria que sua causa era outra.

Então aí aparece Tales e a humanidade começa a buscar no mundo natural as explicações das coisas do mundo natural - por mais estranhas que elas fossem, quando olhamos no retrovisor da história. Um raio, a chuva, as estações do ano e tudo que acontece teria que ter uma explicação no âmbito do próprio mundo das coisas e não do mundo das crenças.

Aí entra uma questão (e eu preciso conversar com alguém mais sabido a respeito, até mesmo para confirmar esse entendimento). O problema não era simplesmente se contrapor a doxa. O negócio seria estabelecer uma contribuição a doxa, até então fortemente apoiada em dogma. Há 2.600 anos atrás, episteme ainda estava nascendo e o pensamento dogmático influenciava fortemente as opiniões mundo afora.

AGORA PULA
Voltemos ao hoje, nesse mundo onde a ciência se desenvolveu e continua a se desenvolver, mas ainda convive com relativa harmonia com o pensamento dogmático-religioso.

Em nossas interações reais ou virtuais é comum menosprezarmos as considerações de nossos interlocutores taxando-as de mera "opinião". Obviamente, em um mundo com tanto saber acumulado na forma de ciência, as opiniões valem tanto quanto uma nota de 101 reais. Mas, ainda assim, elas, as opiniões, tem uma grande importância em nossa vida cotidiana.

Quando vamos escolher o pão mais adequado para nossa dieta, quando vamos escolher um carro ou até mesmo quando vamos escolher nossos governantes, não tem jeito, via de regra é ela que entra em jogo: doxa.

E qual é o problema disso? A rigor nenhum, mas temos que tomar cuidado com as armadilhas de dogma, que ainda faz muito barulho - aliás, ultimamente tem feito mais barulho do que o razoável. Quando nossas opiniões sobre assuntos para os quais a comunidade científica tem consensos claros são fundamentadas em crenças, estamos perigosamente próximos do obscurantismo.

A questão é que não dá pra ter diplomas de nutricionista, engenharia e ciências políticas para decidirmos sobre o pão, o carro e o presidente que iremos escolher. Será doxa, ela que vai operar. Mas isso não significa dizer que tenhamos que nos render a essa limitação.

Você não é engenheiro, mas na hora de comprar um carro, liga praquele amigo que é. Você não é nutricionista, mas quando for escolher o melhor pão, vai numa consulta ou leia uma revista especializada. Você não é cientista político, mas na hora de votar, se informe. Leia jornais, revistas, explore os diversos campos do pensamento e tenha cuidado, muito cuidado, com as já famosas fakenews.

Pra quem você empresta seus ouvidos?

sexta-feira, 27 de março de 2020

Cara ou coroa

Política. Economia. Radicais.

Em tempos terraplanistas, uma moeda pode ser a analogia perfeita. De um lado cara, do outro coroa. Sem espaços para meio-termo ou sensatez. Ousar ocupar esse espaço é dar margem a ser chamado, sarcasticamente, de "isentão".

Como se houvesse apenas duas opções para entrincheirar nossas opiniões, entendimentos e saberes. Mas observe o tiroteio caótico, cada vez mais caótico, de opiniões, entendimentos e saberes. É bala vindo de tudo que é lado.

Ainda assim, no Brasil de hoje só existem 2 carimbos para marcar pessoas e suas ideias: comunista-petista e bolsonarista-fascista. Ficar entre essas trincheiras é a certeza de levar muita bala.

Na moeda da terra plana, não ouse ponderar. No centro o tiro pode vir de qualquer lugar.

Confuso

A situação fica a cada dia mais dramática. Exponencialmente dramática. Dramaticamente dramática.

Me lembrei agora do Papa João Paulo II. Pop. Gostava dele, mas não conheço bem a sua história. Hj a gente só pode gostar de pessoas perfeitas e não sei onde, como e quantas vezes ele errou. Mas me senti minimamente reconfortado ao olhar sua foto. Como me senti ao ver o Papa Francisco rezando sua missa no Vaticano vazio. Não sou católico e também não acredito em Deus. Pelo menos não da mesma forma que a maioria acredita. Só que esses dois Papas me ajudam a buscar uma força não sei onde pra enfrentar esses tempos confusos.

Dramaticamente confusos.

[covid19]

domingo, 22 de março de 2020

Hiperconexão

Não alimente o bicho
Que habita seu interior
Jogue fora o lixo
E tudo mais que traga dor

Tome um banho, escova o dente
Faça a barba todo dia
Cuida também da mente
Não a deixe ficar vazia

Cuidado com o que lê
E também com o que diz
Filtre tudo antes de crer
Mas desliga um pouco, vai ser feliz

Guilherme Poetzscher
22.03.2020

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Luar no mar, vendo a canoa passear


Poetas e filósofos discorrem de maneiras completamente diferentes sobre aquilo que podemos chamar de "vida boa". Mas, se os pensadores são porretas, sejam eles filósofos ou poetas, eles certamente se distanciam na maneira, na forma, mas não muito no conteúdo - na essência das coisas, se é que existe mesmo essa tal essência.

Se para o filósofo a vida boa concilia razão e sentimento, para o poeta essa vida boa é tipo "lua no mar, vendo a canoa passear. A vida boa passa do real que há, coração".

Repare que o poeta tende à valorização dos sentidos - normal - enquanto o filósofo, mesmo passando uma mensagem de equilíbrio, faz isso de modo muito lógico em seu discuro. Repare que esses modos de entender as coisas do mundo não são excludentes, mas sim complementares.

Essa tal "vida boa" passa pelo equilíbrio, pela sensatez, pela capacidade de balancear em nossas vidas, a cada segundo, as questões do cérebro e as paixões do coração.

Se inicialmente eu imaginava que esse seria um texto mais longo, agora entendo que devo parar por aqui. O risco de escrever em círculos é muito grande a partir desse ponto. EQUILÍBRIO é uma qualidade fundamental na busca do bem viver. Beijos, tchau.




domingo, 20 de outubro de 2019

Somos quem podemos ser?

Eu tinha 12 anos. Talvez 11. Não, acho que eu tinha 12 anos mesmo e cursava a sexta série do ginásio no Colégio Nobel. Eu era pequeno e magro. Na minha sala havia caras maiores do que eu. Logo percebi que se se quisesse ser alguém minimamente visível na hora do intervalo (com 12 anos já não chamavamos o recreio de recreio) eu teria que ter um diferencial e, já que não dava pra contar com a musculatura, e notas mais altas do que os 6 e 7 que eu tirava tranquilamente talvez surtissem o efeito contrário - nenhum adolescente quer ser visto como um CDF. Só me restava ser uma cara descolado.

No final dos anos 80 o rock nacional estava com tudo. Três bandas dominavam o cenário: Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso. Fora o Ira!, Barão Vermelho de Cazuza, Raul Seixas, Rita Lee, algumas outras bandas de uma música só e alguma outra que eu tenha me esquecido. O sucesso era tão grande que tinha até rock na abertura de novelas e também no programa Globo de Ouro. Lá as bandas e cantores se apresentavam fazendo playback na cara dura. O rock foi a ferramenta para que eu saísse da infância e estreiasse na adolescência em grande estilo.

Uma das bandas que vez ou outra aparecia no Globo de Ouro chamava-se Engenheiros do Hawaii e eles sempre tocavam uma música melosa chamada "Somos quem podemos ser". Aquela música grudou em meu ouvido, mas sem um desdobramento maior. Até que um dia, provavelmente num sábado, estava com meus pais e meus irmãos no Shopping Itaigara, na loja Aky Discos, quando Norminho, meu irmão mais velho me sugeriu algo: pedir para que meu pai me comprasse uma fita cassete dos Engenheiros do Hawaii. Na verdade ele já tinha pedido uma pra ele e tentou emplacar através de mim a compra dessa fita que ele queria. Ele falou algo tipo "essa fita é daquela banda que toca aquela música no Globo de Ouro". Pedi e ganhei a fita.

Para azar de Norminho eu de fato tomei posse da fita. E para azar duplo dele, eu me apossei tanto da fita que a ouvia sem parar, 10 vezes ao dia. Ouvia e gostava de todas as músicas, não apenas de "Somos quem podemos ser". Passei a ser referência no colégio de fã dos Engenheiros do Hawaii.

Caso você tenha lido essa história até aqui, talvez esteja se perguntando por que esse fato é tão marcante para mim. Hoje, olhando ora trás, vejo claramente que essa fita foi um divisor de águas na formação da minha personalidade. Depois dessa fita permaneci por algum tempo "roqueiro de uma banda só", mas depois vieram outras bandas e cantores favoritos. Fica também o registro para que meus filhos, quando forem mais velhos consigam entender um pouco a cabeça meio avoada do pai deles.

Como esse blog tem um viés fortemente voltado à discussão de questões filosóficas, por que cargas d'água eu venho aqui contar essa historinha? Explico a seguir. Será que, se não fosse essa experiência, esse encontro com essas música e essas ideias, eu teria me tornado quem eu sou hoje? Para quem crê em ideias inatas, a resposta seria sim. Para quem não crê no inatismo das ideias, a resposta seria sim.

Afinal, a gente já nasce com as coisas na cabeça e com o passar do tempo as ideias vão se cristalizando, ou a gente vai assimilando e incorporando novas à caixola a partir de nossas experiências?

Enfim, vamos parar por aqui antes que alguém queira me internar. Vejam abaixo o clipe de "Somos quem podemos ser". Aliás, o título dessa música dá uma boa discussão filosófica. Somos múltiplas possibilidades, ou somos apenas aquilo que nossa natureza determina?



quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Compartilhando uma publicação minha feita no LinkedIn há uns 5 meses:

Sobre LIDERANÇA e FILOSOFIA.

Esse não é um artigo científico. Trata-se de uma percepção minha após a leitura e releitura da Alegoria da Caverna de Platão (428 - 348 a.C.). Na verdade, estamos aqui no mundo de "doxa", das opiniões, que fique claro. Se julgar necessário complemente ou me corrija.

Nesse texto que apresenta um diálogo onde Sócrates expõe a situação de escravos que vivem acorrentados numa caverna e tudo que vêem são sombras projetadas na parede. Sombras de coisas que ficam atrás deles. O "real" para eles são as sombras e não as coisas que dão origem às sombras. Um desses escravos se liberta e sai da caverna. Após uma breve cegueira causada pela luminosidade, ele passa a observar os objetos que projetavam as sombras e decide voltar à caverna para libertar os outros escravos. O final dessa história vc acha em livros ou na internet, mas paro de contá-la por aqui.

Reparem que o escravo, agora homem livre e esclarecido, resolve voltar à caverna. Ele sai de sua "zona de conforto" e retorna às trevas. Platão caracteriza aí a missão político-pedagógica do filósofo. 

Não se assemelha essa missão àquilo que hoje em dia entendemos ser o papel de um LÍDER?

Obs.: Não a toa, cerca de 800 anos depois de Platão, Santo Agostinho (354 - 430 d.C.) utilizou-se desse ensinamento para reforçar a narrativa da liderança exercida por Jesus Cristo, ajudando a estruturar o Cristianismo na idade média.

domingo, 6 de outubro de 2019

A felicidade em perguntas


Quanta energia a gente gasta atrás de coisas que não nos trarão felicidade? Já se perguntou isso?

🤔

O que te faz feliz? Comprar um carro do ano? Sentir a brisa refrescante no rosto? Comer um Big Mac com uma Coca-Cola estupidamente gelada? Encontrar um velho amigo na fila do supermercado? Um pacote de 7 dias num cruzeiro all inclusive? E aí, o que te faz feliz? O que é que você faz que te dá mais energia vital? O que é que você faz que aquele velhinho ou velhinha que será você daqui a alguns anos vai se lembrar com orgulho? Boas perguntas, hein?


Se somos energia em busca de mais energia, que tal priorizar encontros e experiências que promovam ganho de energia? E que tal ver esse vídeo do professor Clóvis de Barros Filho que fala exatamente sobre isso?


Enfim, depois de tantas perguntas e nenhuma resposta, será que não podemos concluir que tem uma "metade" da felicidade que depende das nossas escolhas?







quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Infinito

Eu tinha uns 12 anos quando me deparei com aquela que foi talvez a minha primeira questão existencial, em plena aula de geometria.

Fiquei realmente encucado quando soube que uma reta, que não tem começo nem fim, tem infinitos pontos; assim como o segmento de reta, que mesmo tendo começo e fim, também tem infinitos pontos.

Não sei exatamente quando, mas em determinado momento de minha vida passei a fazer uma analogia diaso com a relação "Deus x Indivíduo". Se Deus é infinito, sendo ele todas as coisas, eu, mesmo sendo apenas uma dessas coisas, seria infinito também. Caberiam em mim tantos pontos quanto cabem em todo Universo. Eu seria, então, tão infinito quanto todo o Universo.

Passados 30 anos daquela aula de geometria, continuo intrigado. Se Deus está em tudo, logo ele está em mim também. Assim, mesmo diante de toda minha insignificância diante da grandeza do Universo, posso me considerar infinito também.

GUILHERME

Obs.:

1) Vejam esse vídeo sobre o Deus de Epinoza. Ah, veja esse vídeo também!

2) Aos 12 anos eu descobri Espinoza, sem saber.

sábado, 28 de setembro de 2019

O homem é a medida de todas as coisas

Na postagem anterior confessei ter uma tendência a concordar com aqueles que tem pouca ou nenhuma fé. Mas como sou humano, ridículo, limitado e só uso 10% de minha cabeça animal, não consigo entender direito o que vem antes do big-bang, nem o que fica depois do ponto mais distante do universo. Assim, não me resta outra alternativa a não ser reconhecer minha insignificância e aceitar que existe uma instância muito superior, à qual talvez eu nunca venha a entender, que criou tudo que meus olhos conseguem ver.

Ainda assim, tenho sérias dúvidas se seríamos nós, Seres Humanos, os filhos diletos desse Pai eterno. Segundo pessoas que estudaram mais do que eu, crer em Deus é um exercício de fé, assim como não crer no Todo Poderoso. Fiquei intrigado ao ouvir isso, mas no fim concordei com o argumento.

A melhor resposta que já ouvi para uma pergunta sobre a existência ou não de Deus, foi dada pelo ator Wagner Moura. Ele disse com todas as letras que sim, que Deus existe. Que Deus existe por que nós, homens, o inventamos. 

Não sei se a ideia original é dele, mas achei a resposta brilhante. Genial mesmo. Mesmo assim, continuo com aquela dúvida referente ao que viria antes do big-bang e o que haveria depois do fim do universo.

Bem, vamos dormir que está na hora.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Falando, sobretudo, sobre nada.

Estou me livrando das ciberdrogas. Há quase um ano não acesso o Facebook, diminui as doses de uso do Whatsapp e estou pensando em como lidar com o Google e seu algoritmo. Esses dois últimos são drogas mais difíceis de evitar.

Apesar do teor engraçadinho do primeiro parágrafo, estou realmente preocupado com os rumos que as coisas estão tomando. Parece que o mundo real está subjugado ao mundo virtual. A ideia do rio amazonas é maior do que o próprio rio. Será? Se Platão estiver certo e a tal transcendência for verdadeira, ele deve estar nos olhando "lá de cima" e se perguntando: o que eu fiz?!?

Mas eu tenho esperança de que vamos encontrar uma saída. Por falar em Platão, acho que a humanidade está hoje como aqueles garotos da Tailândia que ficaram presos na caverna. Quero crer que o resgate vai chegar. Quero crer que sairemos dessa. Talvez, dentre as pessoas de pouca fé eu seja uma pessoa de muita esperança. Meio que contrariando Platão e falando numa linguagem "tipo coach / guru de autoajuda", o resgate não virá de fora da caverna...

Enfim, se meus textões já não tinham grandes audiências no Facebook, imagino que ela vai chegar a zero escrevendo nesse blog. Mas a ideia é essa, não quero mais ficar no mundo virtual que nem aqueles pastores que ficam falando na rua pra captar mais clientes para sua igreja. Não quero fazer a cabeça de ninguém - não funciona assim. A não ser que você queira iludir e não iluminar.

Boa noite, vou ali e volto depois.

GUILHERME


Obs.:

1) O título dessa minha primeira postagem é um plágio descarado de um site dos anos 90 chamado gap100.hpg.com.br.

2) Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, por que bate lá meu coração.